segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Caso Zequinha

Três anos após o assassinato de Raphael assassinos
fardados continuam impunes





Raphael Bezerra da Silva, aos 20 anos, foi baleado por policiais militares em Londrina, na noite do dia 16 de novembro de 2004 e morreu 41 dias depois. Raphael era filho do ex-jogador de futebol do Londrina Esporte Clube José Carlos da Silva, o Zequinha. O rapaz atuava como jogador semi-profissional no clube Sport Lisboa, em Portugal. Na ocasião do assassinato, passava as férias com a família, no Brasil.

Raphael teve 14 ferimentos à bala, no tórax, braço e ombro, provocados por disparos de pistolas de alto calibre. A operação desastrosa da RONE, movida pela busca de um pneu e macaco roubados com os quais comprovadamente Raphael não tinha nenhuma relação, foi cercada por irregularidades. “Os PMs tentaram culpar meu filho dizendo que ele tinha uma arma e tentou atirar neles. Os policiais não prestaram socorro, impediram o atendimento do Siate, que foi até o local, e ainda o arrastaram por 15 metros até uma viatura da RONE. Ele só foi atendido duas horas depois. Já dentro do hospital tiraram a sua camisa, que até hoje não sabemos onde está”, denuncia José Carlos da Silva, pai de Raphael.

Outro fato que indica que policiais e possíveis cúmplices procuraram ocultar e manipular provas foi que até mesmo projéteis alojados no corpo de Raphael desapareceram enquanto estava no Hospital sob escolta da polícia.
Apesar de ter sofrido ameaças para não dar seqüência ao caso, Zequinha continua sua luta por justiça, para que os assassinos de seu filho sejam punidos: “É inadmissível que, depois de matarem meu filho com 14 tiros à queima-roupa, estes policiais sejam absolvidos ou tenham penas brandas. Eles têm que pagar pelo que fizeram, antes que mais pessoas inocentes sofram também a mesma violência”.

Quatro policiais — Edney Ronaldo Gomes, Rangel Barbosa da Cunha, Sérgio Fontanetti e André Luiz de Almeida Figueiredo — são hoje réus no processo. Os dois primeiros são acusados por homicídio doloso. Os outros dois respondem pelo crime de fraude processual. Todos estão soltos.

O Movimento Londrinense Contra a Repressão, do qual Zequinha faz parte, exige que os assassinos fardados sejam punidos. Mais do que isso, busca consolidar um movimento para frear a criminalização da pobreza, da juventude e dos movimentos sociais.

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