segunda-feira, 6 de julho de 2009

Na corda bamba da democracia

Uma das bandeiras do movimento estudantil na Universidade é a democracia no campus. Para quem está alheio à realidade estudantil pode parecer um paradoxo em plena conjuntura de consolidação das “liberdades democráticas”, os universitários levantarem tal bandeira. Seriam os estudantes um grupo retrógrado da comunidade acadêmica preso a bandeiras que remontam à ditadura militar?

Em 2007 formou-se o Movimento Londrinense Contra a Repressão, em Foz do Iguaçu existe o Comitê Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais; em outras cidades criam-se organizações e debates semelhantes que partem da necessidade de se organizar contra as forças repressivas.

Assim como acontece com vários movimentos sociais, o movimento estudantil vem sofrendo ataques das autoridades por lutar por outro projeto de Universidade, por outra sociedade. A repressão acontece de várias formas, desde a ação policial à depreciação moral. Para as autoridades não basta chamar a polícia, é preciso ridicularizar as concepções dos estudantes, como fez o reitor da UEL indo ao jornal Folha de Londrina para dizer que os estudantes contrários ao “Plano de Segurança” eram repetentes financiados por traficantes. Cabe ressaltar que a luta contra o “Plano de Segurança” é parte do combate à aplicação da lógica militar-repressiva na universidade.

Em outros casos a repressão assume proporções maiores. Alguns moradores da Casa do Estudante foram intimados a prestar depoimentos por suposto consumo de drogas no local, esses estudantes participaram em muitos atos como o “Pula catraca no RU” em 2007. Também os moradores foram surpreendidos com ameaças policiais na Casa do Estudante, em outro caso um estudante foi abordado no terminal central de forma truculenta sem qualquer motivo que justificasse a ação policial. A incidência desses casos revela que as autoridades utilizam-se de diversas formas para incriminar o movimento.

Também em 2007 tivemos a invasão da polícia no campus para “enquadrar” uma manifestação dos estudantes contra o monopólio que a rede de lanchonetes “Pingüim” quer estabelecer na UEL. Mas para as autoridades não basta chamar a polícia e desqualificar o movimento estudantil, é preciso vigiá-los a todo o momento, eis que se espalham câmeras por toda a Universidade, até mesmo no Anfiteatro do CCH local muitas vezes escolhido para intervenções e manifestações estudantis.

Longe de um delírio estudantil, a democracia no campus é uma reivindicação necessária para que os estudantes possam avançar no projeto de outra Universidade e Sociedade.

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