segunda-feira, 6 de julho de 2009

“A morte de Jamys não pode morrer”

Jamys Smith da Silva era carregador no CEASA, respeitado no trabalho, aos 20 anos era pai. No dia 15 de maio de 2005 estava com amigos em casa, quando algum vizinho, incomodado com o som alto, acionou a polícia. Segundo Sueli, mãe de Jamys, os PMs chegaram no local e exigiram que o jovem abaixasse o volume, o que foi feito. Entretanto, Jamys saiu de sua casa por alguns minutos e os amigos aumentaram novamente o volume do som. A Polícia Militar retornou e, ao chegarem na rua, os PMs agrediram violentamente moradores, inclusive pessoas que estavam no bar da esquina da casa.

Ao encontrarem Jamys os policiais o agrediram brutalmente, com uso de cacetetes e chutes na cabeça. Sueli ficou sabendo da violência e foi correndo para o local, presenciou parte da barbaridade que fizeram com seu filho. O jovem foi colocado na viatura policial já desacordado. A mãe foi até a Delegacia de Polícia que, supostamente, haviam levado seu filho, porém não o encontrou. Obteve a informação de que ele estava no Pronto Socorro, ao chegar lá viu os policiais exigindo que o hospital aceitasse a entrada de Jamys, entretanto, quando ela foi até a viatura viu que ele já estava morto.

Na época, o comandante da polícia chegou a dizer que a morte deste jovem foi um “acidente de trabalho”. Até hoje nenhum dos envolvidos foi condenado, continuam livres, andando entre nós.

Jamys foi mais uma vítima das atrocidades cometidas pela violência policial em todos os cantos deste país. Em particular, Jamys, vivia na periferia de Londrina, por isso, o tomamos com um dos casos que materializa a urgência da mobilização da população londrinense contra as atrocidades do Estado repressor, na figura de sua polícia.

A emoção deve trazer consigo uma carga de revolta e, por conseguinte, a revolta deve transformar-se racionalmente em ações concretas. Como a mãe de Jamys falou entre lágrimas: “a morte do meu filho não pode morrer”. Lutemos contra este tratamento dado aos jovens e trabalhadores que moram nas periferias. Chega de criminalizar a pobreza e a juventude.

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