segunda-feira, 6 de julho de 2009
Manifesto dos Estudantes na "audiência" sobre o Plano de Segurança
Hoje vivemos em um contexto de criminalização da pobreza e da juventude. A ação da polícia é pautada pela discriminação racial e social. Mas o mesmo sistema que cria e perpetua a pobreza, quer culpar os próprios miseráveis pela violência. Com isso, temos que ouvir propostas absurdas como esta de cercar o campus. Esse “plano” do capitão Marcondes revela um preconceito e rotula de antemão os trabalhadores que moram nos bairros vizinhos como criminosos em potencial, como suspeitos.
Devemos nos opor a mais esta segregação. A população destes bairros deve ter a liberdade de usufruir do campus, mas não só a passeio. Eles têm que estar aqui dentro, estudando. Esse muro vai no sentido contrário, estigmatiza e restringe o acesso ao campus, contraria o caráter público da universidade.
A presença da polícia na UEL não vai resolver os problemas de segurança. Só vai trazer para dentro da universidade uma lógica que sempre foi combatida pela comunidade universitária. Os anos da ditadura são um marco desta luta pela autonomia da universidade, contra a entrada da polícia.
Mas a truculência da polícia não é coisa do passado. São cada vez mais constantes a tortura e assassinato de militantes de movimentos sociais. Sem terras, sem tetos, estudantes, trabalhadores que lutam por sua sobrevivência.
E isto também acontece em Londrina. Em 2003, vários estudantes foram presos no movimento pela redução da tarifa do ônibus e um manifestante: Anderson Amaurílio da Silva, de 21 anos foi morto, atropelado, por causa de uma ação irresponsável da polícia militar, sob o comando do Tenente Coronel Rubens Guimarães.
O caso de Jamys da Silva, trabalhador de 20 anos, é um exemplo de qual é a lógica que querem trazer pra dentro do campus. Ao fazer uma festa em sua casa, no Jardim Santa Fé. A polícia foi chamada por causa do som alto. Jamys e os amigos teriam se recusado a baixar o volume. Com apoio de mais uma equipe do Pelotão de Choque, os policiais entraram na casa dele, chutaram a caixa de som e levaram Jamys para a rua . E lá o espancaram e o jogaram várias vezes contra um muro. Outras viaturas chegaram e agrediram pessoas por todo o bairro.
Jamys morreu. Na época, o comandante do 5º. Batalhão disse que foi um acidente de trabalho. Só 4 policiais foram afastados da polícia, isso só em 2007, outros 20 continuam fardados andando entre nós.
Organismos Internacionais de direitos humanos falam o que qualquer um aqui que seja minimamente crítico sabe, e que infelizmente os jovens da periferia aprendem desde cedo, agora até mesmo com a polícia dentro das escolas.
“Significativas violações de direitos humanos continuam a ocorrer no Brasil. A polícia é freqüentemente abusiva e corrupta. A violência policial – incluindo o uso excessivo da força, execuções extrajudiciais, a tortura e outras formas de maus-tratos – persiste como um dos problemas mais sérios de direitos humanos no Brasil. A polícia também usa a tortura como meio de obter informações ou confissões forçadas de pessoas suspeitas de terem cometido crimes.” (Relatório da Human Whrights Watch, de 2006)
A reitoria quer colocar a polícia no campus para poder controlar a comunidade universitária. E já temos exemplos de como isto funciona. Em 2003 diretores do DCE foram presos dentro do campus, por estarem realizando uma festa para arrecadar recursos para o movimento estudantil. E já sob o mandato do reitor Marçal a polícia foi chamada para retirar os estudantes que ocupavam a reitoria chamando a atenção para a necessidade de se garantir o direito à educação.
Em defesa de uma universidade que seja de fato um espaço de liberdade e de crítica. Que possa se colocar a serviço de uma transformação social que acabe pela raiz com as causas da violência reafirmamos a nossa autonomia. E dizemos bem alto, para que o reitor e toda a comunidade possam ouvir:
Somos contra o plano de segurança do capitão Marcondes e da reitoria! Fora a polícia do campus! Por uma UEL sem muros!
30 de maio de 2007
Estudantes da Universidade Estadual de Londrina
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